Projeto: Zoneamento das pequenas bacias hidrográficas do Semiárido de Alagoas, com técnicas de geoprocessamento e sensoriamento remoto.
Descrição: O Estado de Alagoas compreende uma área de 27.000 km2, dividido em três zonas fisiográficas: mata, agreste e sertão. As duas últimas correspondendo à região do semiárido alagoano com 13.000 km2, onde os problemas socioeconômicos são mais acentuados. A atividade econômica na região semiárida é a agricultura de subsistência, com plantios de milho, feijão e mandioca. Esta atividade é praticada numa grande variedade de sistemas dependentes de diferentes tipos de solos, topografias, posições na paisagem e padrões de chuva, cujo sistema tradicional de exploração é incompatível com as condições de semiaridez, onde os problemas se multiplicam durante as secas. Esse desequilíbrio se manifesta na dimensão ambiental, pela exploração excessiva dos recursos e na dimensão econômica, pelos baixos níveis de produtividade, com reflexos na pobreza da população. No semiárido a disponibilidade de água é o principal fator limitante à obtenção de elevadas produtividades, ou mesmo da produção, cuja irregularidade das chuvas e a capacidade de armazenamento de água no solo é baixa, influenciando no estabelecimento e na produção das culturas. As áreas preferidas dos agricultores para as culturas são, principalmente, as áreas de baixios (várzeas) e os terraços aluviais, que são unidades geomorfológicas constituídas pelas faixas de terra distribuídas ao longo dos rios e riachos, formadas por materiais de transporte fluvial, gerando solos de constituição diversificada e de limitado uso e produção. Em geral, ocorrem Neossolos Flúvicos e Cambissolos, cuja posição na paisagem favorece a captação de água. Estes solos representam áreas de grande importância para a agricultura, bem como para permanência de água, por um período mais longo, assegurando a produção agrícola por um período após a estiagem, devido a sua profundidade e alta fertilidade. Entretanto, são solos que requerem manejos cuidadosos, pois em função das condições climáticas, por vezes, tornam-se salinizados. Em Alagoas, as áreas de várzea das grandes bacias hidrográficas são relativamente estudadas, mas sempre tratando de dados generalizados para o semiárido. Entretanto, as pequenas bacias no interior da região são pouco caracterizadas e não existem referências ao tamanho das áreas ou ao tipo de uso. Devido a sua pequena abrangência, isoladamente, elas não são contempladas nos mapeamentos existentes com as escalas utilizadas, contemplando apenas as áreas dos rios e riachos mais largos e na escala de 1:100.000. A malha de drenagem extensa e diversificada, com rios estreitos não puderam ser mapeados nessa escala permanecendo sem informações qualitativas e quantitativas, ou com informações fragmentadas de alguns estudos pontuais. A falta de informações desses ambientes de alta importância para o desenvolvimento da agricultura familiar é que motivou a elaboração deste projeto de pesquisa, que tem por objetivo mapear, qualificar e quantificar através de técnicas de geoprocessamento e sensoriamento remoto as várzeas e os solos desenvolvidos nesses ambientes, com vistas ao zoneamento dessas áreas no semiárido alagoana, principalmente, por não existir um mapeamento de detalhe, ou zoneamento ambiental numa escala menor, como de 1:25.000. Os dados gerados neste estudo servirão de base para subsidiar tomadas de decisões pelo poder público, a nível Municipal, Estadual e Federal, uma vez que, atualmente,não existem políticas públicas voltadas especificamente para estas, que são as áreas com maior potencial produtivo no semiárido. Os zoneamentos agrícolas que servem para financiamento da produção familiar, não distinguem estas áreas de várzea das outras áreas dos municípios. Nesse sentido, a caracterização das áreas de várzea permite um refinamento do zoneamento e pode contribuir para um financiamento agrícola com base mais realista.
Linha de Pesquisa: Território, Sociedade e Desenvolvimento.
Coordenador do Projeto: Prof. Dr. Ailton Feitosa
Pesquisadores Envolvidos: alunos do Mestrado e alunos da Graduação.
Projeto: Cooperativismo e Desenvolvimento Territorial.
Descrição: Neste trabalho, admitimos a concepção de que as transformações recentes do mundo rural alagoano instaura uma nova dinâmica territorial, a partir das interações das formas de organização dos produtores. Assim, para o estudo no âmbito da rede de cooperativas e do seu papel na construção do território, uma categoria recentemente adotada, realçam aspectos que o distinguem no contexto econômico, social e político de Alagoas. A intenção é obter subsídios teóricos que contribuam para análise de dinâmicas territoriais, tomando como referência iniciativas de produtores rurais em torno do cooperativismo, em virtude da integração ao mercado globalizado, participação em redes sociais, investimentos em capital social e humano para o desenvolvimento territorial. Dessa forma, decorre a importância de compreender melhor, teoricamente, a relação entre esses processos e os resultados alcançados pelo cooperativismo em Alagoas. Constitui o objetivo de esta pesquisa examinar a capacidade das cooperativas em atender aos requisitos de produção e comercialização impostos pelos mercados globais, avaliando, ao mesmo tempo, seus impactos em nível dos territórios nos quais estão inseridas. Os objetivos da pesquisa serão expressos nos seguintes pontos: a) examinar, numa perspectiva multidisciplinar, os impactos das alianças e das práticas associativas na dinâmica territorial; b) aprimorar a formação acadêmica e a consciência crítica dos participantes, por meio da familiarização dos procedimentos e técnicas de pesquisa científica e da capacidade de discussão e síntese dos temas discutidos; c) analisar os arranjos produtivos desenvolvidos pelos agricultores familiares no âmbito da unidade familiar e da cooperativa, em meio aos requisitos dos mercados globais e de uma inserção socioeconômica particular, bem como os seus impactos sobre o território. A metodologia será estruturada a partir de uma abordagem qualitativa, através da seleção de estudos de caso de cooperativas situadas no Agreste e Semiárido alagoano, onde as discussões teóricas e avaliação das práticas sociais terão como elo norteador a relação local/global. Pretendemos com esta pesquisa mostrar que as práticas cooperativas, a multifuncionalidade da agricultura e as dinâmicas territoriais, muito contribuem para o entendimento das transformações recentes dos espaços rurais e do desenvolvimento territorial. O desenvolvimento de pesquisas nesta área tenderá a contribuir para a produção de conhecimento na temática do Território e Cooperativismo, que entre outros efeitos permitirá subsidiar a disciplina relacionada a esta área.
Linha de Pesquisa: Território, Sociedade e Desenvolvimento.
Coordenadora do Projeto: Profa. Dra. Conceição Maria Dias de Lima
Pesquisadores Envolvidos: alunos do Mestrado e alunos da Graduação.
Projeto: As cidadanias e suas (possíveis) emergências, desvelando territórios, culturas e sociedades
Descrição: Com base nas abordagens e nas metodologias dos estudos culturais, o projeto tem como objetivo a construção de uma prática pedagógica assentada em ensino, pesquisa e extensão no sentido de proporcionar e de afetar, não somente à totalidade da instituição uma prática orgânica, mas, sobretudo, de aprofundar a Uneal enquanto uma instituição voltada a compreensão de Alagoas em suas particularidades culturais. Neste sentido, vale acentuar que, com a implantação do projeto com este tipo de metodologia, o que está sendo colocado também enquanto possibilidade, é que, as suas ressonâncias e práticas articuladas de ensino, pesquisa e extensão voltadas para as particularidades locais, possam produzir um efeito de sobredeterminação e influências dos diferentes cursos da instituição, um ensino, pesquisa e extensão, no sentido de produções científicas voltadas para os saberes locais. Destacamos ainda, en passant, que, os territórios aonde se localizam os diferentes campus, são territórios de vivências originárias de culturas ancestrais das Alagoas – caso da comunidade quilombola da Tabacaria e da etnia indígena dos Xucurus, em Palmeira dos Índios, da comunidade quilombola do Moquém, vivências as quais, fundamentais no entendimento de Alagoas hoje e de seus processo de modernidade e modernização, até o presente momento se encontram desfocadas enquanto um campo de estudo atento para os seus territórios e suas possibilidades de desenvolvimento. O objetivo geral é desenvolver práticas de pesquisas a partir dos contextos locais diante das possibilidades metodologias dos Estudos Culturais. Como objetivos específicos, busca-se: entender as comunidades quilombolas e seus contextos de emergência; pesquisar as etnias indígenas, seus contextos de emergência e as particularidades sócio-culturais de seus territórios; dar visibilidade às referidas comunidades étnicas (quilombolas, índios) e as comunidades camponeses aos diversos grupos de pesquisa existentes na Uneal; fortalecer os diversos núcleos de pesquisa a partir das referidas comunidades; realizar um levantamento e mapeamento no corpo discente no sentido de identificar e localizar os alunos residentes nas proximidades de comunidades quilombolas e etnias indígenas; desenvolver as práticas de ensino, pesquisa e extensão a partir das realidades locais já acima esmiuçadas. Linha de Pesquisa: Território, Cultura e Saberes Locais. Coordenadora do Projeto: Prof. Dr. Edson José de Gouveia Bezerra Pesquisadores Envolvidos: alunos do Mestrado e alunos da Graduação. Projeto: Proposta de Indicadores de Sustentabilidade para estudo da vulnerabilidade socioambiental do município de União dos Palmares, no Estado de Alagoas – Brasil Descrição: O presente projeto de pesquisa é apresentado como um sistema integrado para aferição do desempenho econômico, social e ambiental com o objetivo de auxiliar a gestão do município de União dos Palmares na Zona da Mata alagoana. O sistema denominado Indicadores de Sustentabilidade de Vulnerabilidade Socioambiental (ISVSa) terá como proposta um estudo de 16 indicadores (Ocupação da planície lacustre e fluvial, do complexo vegetacional, áreas prioritárias para conservação; aptidão agrícola; qualidade da água; área em unidade de conservação; conservação do solo; acesso ao abastecimento de água, à coleta de lixo, ao esgotamento sanitário; taxa de analfabetismo; renda familiar; doenças de veiculação hídrica; taxa de desemprego,. Tais indicadores estarão divididos em critérios (exposição, sensibilidade e capacidade de resposta), para facilitar a mensuração dos mesmos. Sendo que essas variáveis e indicadores foram aferidos Valores no intervalo de 0 a 1, onde o valor mais próximo de 1 a vulnerabilidade é muito alto e próximo ao 0, muito baixa. Alguns indicadores podem demonstrar valores contrários onde, os valores que se aproxima de 1 é muito baixo e se aproximando do 0, muito alto. A média aritmética simples dos 16 indicadores de sustentabilidade resulta em um índice final do estabelecimento avaliado. Com o apoio de imagens de satélite e levantamento de campo poderemos chegar a uma média geral da vulnerabilidade socioambiental do município. Nesse sentido, defende-se que os indicadores são instrumentos úteis para planejar, avaliar, implantar e monitorar projetos no contexto das políticas públicas ambientais.
Linha de Pesquisa: Território, Sociedade e Desenvolvimento.
Coordenadora do Projeto: Prof. Dr. José Lidemberg de Sousa Lopes
Pesquisadores Envolvidos: alunos do Mestrado e alunos da Graduação.
Projeto: Desenvolvimento territorial e os circuitos de produção das indústrias alagoanas.
Descrição: Em sua formação territorial, Alagoas teve concentra suas atividades industriais em dois grandes setores. O maior, o sucroalcooleiro surgiu com os engenhos de açúcar metamorfosearam-se no século XX em usinas. Essa atividade industrial é hoje predominante, representando quase que a totalidade da indústria alagoana. Outra atividade industrial que teve destaque, mas que não progrediu foi a ligada a produção algodoeira, ou seja, as industriais do setor têxtil. As políticas de desenvolvimento industrial para o Nordeste, promovidas pela SUDENE, pouco beneficiou Alagoas que teve um número reduzido de estabelecimentos atraídos, exceto pelo salgema. Por outro lado, teve uma forte política de investimento no setor sucroalcooleiro. Porém, essa política provocou desigualdades no interior desse território, onde certos espaços se tornaram mais dinâmicos que outros, perpetuando a desigualdade anterior. Mais recentemente, é que tem surgido, sobretudo, no agreste alagoano, indústrias que tem sido um contraponto ao predomínio do setor sucroalcooleiro, a exemplo da Indústria de Lacticínios de Palmeira dos Índios – ILPISA (detentora da marca Vale Dourado, Tampico, etc), a Coringa com a produção de alimentos, a Bona Sorte com derivados de leite, a Bauducco com biscoitos. O surgimento e crescimento dessas novas indústrias devem ser compreendidos. O uso do território pelas empresas é diferente do uso feito pela sociedade. Conforme Santos (2004), as empresas usam de forma corporativa o território, buscando que esse atribua vantagens a reprodução de seu capital e de sua força econômica. De acordo com Santos & Silveira (2001, 105), cada ponto do território modernizado é chamado a oferecer aptidões especificas a produção e que dentro da atual divisão territorial do trabalho existe uma tendência de expansão capitalista para as áreas periféricas, remodelado os usos desses territórios. Neste contexto, tem se desenvolvido pesquisas que buscam compreender os circuitos espaciais de produção dos ramos industriais que se expande no Agreste e Sertão alagoano, observando seu comportamento, a fim de entender as redes e tramas do espaço e das relações de produção e reprodução do capital. Busca-se ainda observa como as empresas usam o território m para auferirem maiores lucros aos seus capitais por meio de incentivos fiscais, benefícios em sua instalação, boa infraestrutura de circulação, etc. Faz-se um diagnostico das diferenciações no território, apresentando os espaços de maior dinamismo, onde os fluxos são mais rápidos e os objetos geográficos apresentam maior conteúdo em capital, tecnologia e organização possibilitando um maior interesse pelas empresas, e por outro lado, espaços onde os sistemas de objetos e ações são reduzidos, avaliando as políticas de indução do desenvolvimento regional comandada pelo Estado por meio de órgãos estatais e as formas atuais comandadas pelo mercado, verificando quem são atualmente os principais agentes organizadores do território. Por fim, pretende-se os circuitos espaciais de produção dos principais ramos industriais, observando seu comportamento, a fim de entender as redes e tramas do espaço geográfico e das relações de produção e reprodução do capital. A pesquisa baseia-se, sobretudo, nas teorias desenvolvidas por Santos (2006, 1985. 2000) que buscou compreender a totalidade do real, pensando o espaço geográfico como um sistema de objetos e ações, onde a sociedade comanda os eventos que a transforma continuamente, produzindo arranjos territoriais e solidariedades. Desta forma, compreende-se que somente um método que busque compreender o sujeito como um ser histórico, que em suas relações com a natureza e com os homens, agindo dentro de um conjunto de relações sociais poderá dar conta da realidade concreta.
Linha de Pesquisa: Território, Sociedade e Desenvolvimento.
Coordenador do Projeto: Prof. Dr. Odilon Máximo de Morais
Pesquisadores Envolvidos: alunos do Mestrado e alunos da Graduação.
Projeto: Uma metodologia para abordagem de cidades e vilas no desvendamento de processos sociais da Região Fumageira de Arapiraca (AL).
Descrição: O projeto de pesquisa vislumbra o cumprimento de etapas do entendimento da formação urbana de núcleos inseridos na Região Fumageira de Arapiraca (RFA), investigados sob a convergência de conteúdos de ciências afins, buscando reunir elementos que contribuam a inferências substanciais na constatação do legado da atividade fumicultora, no movimento das cidades e vilas e/ou de suas unidades espaciais. Deste modo, a proposta do projeto é colocar em destaque a questão do tempo, do espaço e dos fenômenos sociais – evocando a História, a Geografia, a Sociologia e a Arquitetura e Urbanismo –, vinculados à dinâmica da cultura fumageira, vislumbrando-a na discussão da formação social. A justificativa da realização do projeto, em longo prazo e por parcelas (pesquisas de discentes) é expressa pela necessidade de ampliar e convergir, em nível acadêmico, o conhecimento legado pelas referidas ciências que contribuirão ao entendimento do contexto da produção fumicultora para a investigação da cidade e do urbano, conforme as estratégias de agentes envolvidos nessa porção Agreste do território alagoano, trazendo novos subsídios às ações de ensino e extensão, no âmbito da Universidade Estadual de Alagoas (UNEAL), bem como ampliando esse tipo de pesquisa, uma vez que alunos da graduação (PIBIC, TCCs) e do Ensino Médio (PIBIC Jr) a tem realizado, modestamente. A pesquisa parte da seguinte questão: até que ponto, conteúdos acerca da cidade e do urbano, convergindo História, Geografia, Sociologia e Arquitetura e Urbanismo, dinamizam a investigação da formação urbana de núcleos da antiga Região Fumageira de Arapiraca, observando-se o fenômeno sob a formação social? O objetivo geral é oportunizar a investigação de núcleos pela utilização de conteúdos acerca da cidade e do urbano, promovendo a ampliação do conhecimento teórico sob afinidades entre História, Geografia, Sociologia e Arquitetura e Urbanismo no desvendamento de processos sociais. Mais especificamente, discute-se a dimensão das convergências entre as ciências sublinhadas, no contexto da cidade e do urbano; aborda-se a origem, dinâmica e situação da Região Fumageira de Arapiraca e de seus núcleos urbanos atuais; e analisa-se a formação urbana de cidades e vilas à luz dos processos sociais em tempos presentes do passado e do passado ao presente, sob a formação social. Inspirado na proposta da metodologia da Geografia Histórica Urbana, que reúne o tempo, o espaço e os processos sociais, dever-se-á oportunizar, pelos procedimentos metodológicos, o acesso a referenciais bibliográficos, a realização de visitas de campo (registros fotográficos, história oral, por exemplo), no levantamento de dados. Com estes, serão elaborados gráficos, tabelas, quadros e até mapas temáticos, não se prescindindo da ferramenta Google Earth e de outras tecnologias como o software Corel Draw, por exemplo, que facilitarão a análise de dados por discentes vinculados ao Curso de Mestrado em “Dinâmicas Territoriais e Cultura”. Os impactos da pesquisa recairão sobre questões de aprofundamento do conhecimento de cidades e vilas da antiga RFA e/ou de suas unidades espaciais (bairros). Também se entende que o trabalho estimulará outras pesquisas, sob a metodologia adotada, aplicada à pesquisa. Além disso, deverá somar à contribuição do fortalecimento da Linha de Pesquisa “Sociedade e Território”, por atentar aos aspectos da cidade e do urbano, no referido mestrado, contando, para tanto, com a ministração da disciplina que será oferecida “Teorias e abordagens sobre a cidade e o urbano”, bem como possibilidades de minicursos, palestras e outros, no contexto da Pós-Graduação e outros níveis. Outra possibilidade é contribuir para que o poder público atente às políticas estabelecidas para a memória dos núcleos atingindo escalas geográficas maiores.
Linha de Pesquisa: Território, Sociedade e Desenvolvimento.
Coordenadora do Projeto: Prof. Dr. Roberto Silva de Souza
Pesquisadores Envolvidos: alunos do Mestrado e alunos da Graduação
Projeto: O Nordeste como território de (des)construção de identidades: o imaginário e o simbólico nas filigranas da cultura
Descrição: Levando em consideração as diversidades não só das sociedades nacionais bem como as regionais, procuramos estudar as diversidades da região Nordeste (NE), enquanto territórios múltiplos cujos resultados pautam-se numa dramática intensificação de práticas que vão internalizando uma ideologia, “verdades” pautadas na economia, na migração, na cultura discriminatória que “regulamentam” práticas discursivas capazes de traçar um “perfil” que sustenta uma imagem identitária do Nordeste: um olhar (inquestionável) de um NE seco, subdesenvolvido cujos campos (secos) massacram o seu povo e cujos centros urbanos carecem de desenvolvimento em relação às outras regiões do país. Ao nos depararmos com uma variedade de discursos materializados nas mais variadas tipologias textuais, inquietamo-nos e procuramos indagar: será essa a imagem que identifica o NE como região? São os discursos que cristalizam essa ótica sobre a região e formulam uma forma unívoca de “ver” o NE brasileiro? Seria a seca a representação maior do NE? Diante dessa realidade temos investigado como essa “identidade da seca” tem sido (re)afirmada através de diversas práticas discursivas que, em seus processos discursivos (inacabados), restringem, nas vias do discurso da seca, uma construção identitária do NE, discurso este que sempre aparece para “representar” a região ou consolidar tal identidade. Historicamente falando, é notória a construção discursiva de uma identidade do NE constituída por dizeres outros como região subdesenvolvida. Isto porque existe no processo sócio-histórico uma construção identitária a partir da presença de outra região. É um processo de construção de identidade segundo as diferenças: a partir da presença de um outro. A visão de que o NE é uma região subdesenvolvida advém da presença de uma outra região, em especial o Sul/Sudeste brasileiro identificada como centro e maior desenvolvimento do país. É tomando Foucault como fonte teórica que entendemos que são as práticas discursivas as maiores construtoras de uma verdade social. Essas “verdades” sobre as duas regiões são “discursos verdadeiros” que são absorvidos pelos sujeitos e concebidos como um crédito de uma realidade imutável. A partir dessa perspectiva, práticas discursivas como o cinema, a televisão, a literatura de cordel, a literatura brasileira, a música (MPB), as manifestações folclóricas/culturais contribuem para a fixação da imagem identitária representativa ao NE. Em alguns estudos que realizamos detectamos marcas identitárias de um NE seco, decadente, atrasado, subdesenvolvido, miserável, de migração, necessitado de ajuda. Discursos humorísticos que constroem estereótipos do homem do NE como figura marcante: um homem machista, “cabramacho”, desprofissionalizado, salafrário, mulherengo, dentre outras marcas e uma mulher dependente, analfabeta, subjulgada ao homem, doméstica, “mulher- macho”. São construções de uma identidade produzidas em locais históricos e institucionais específicos. É a partir de um “discurso da seca”, presente nos mais diversos textos, que se fixa a imagem representativa do NE. Em Vidas Secas, em A Bagaceira, em Os Sertões podemos encontrar marcas desse discurso que se reproduz nas charges, nos programas humorísticos de TV, nas músicas, na representação artesanal etc. A dramática intensificação dessa prática discursiva internalizada pela economia, pela história, pela cultura e pelo social constrói identidades regionais e locais que acabam sendo adotadas por grupos e que culminam com “explicações” baseadas em um sentido de lugar específico: construindo uma “identidade específica” respaldada por tais práticas. É como diz Souza Santos: “assenta sempre na ideia de território, seja ele imaginário ou simbólico, real ou hiper-real”.
Linha de Pesquisa: Território, Cultura e Saberes Locais.
Coordenador do Projeto: Prof. Dr. Cristiano Cezar Gomes da Silva
Pesquisadores Envolvidos: alunos do Mestrado e alunos da Graduação.
Projeto: Etnobioprospecção: caminhos para prospecção biológica por meio de processos de seleção cultural
Descrição: A construção do conhecimento popular sobre o uso dos recursos naturais segue caminho diverso daquele produzido segundo os ditames do método científico. A classificação dos seres vivos em sistemas tradicionais está preponderantemente associada a categorias de uso importantes culturalmente. A lógica de produção do conhecimento popular persegue o objetivo de resolução de problemas práticos vivenciados pelas comunidades. Assim, tais comunidades se aproveitam da sua estreita relação com os recursos e do largo conhecimento acumulado por gerações para selecionar espécies e enquadrá-las dentro de determinadas categorias, construindo um sistema próprio de classificação para tais recursos, muitas vezes, até, influenciados por outros sistemas culturais e até por dados científicos. Tais sistemas de classificação e agrupamento de espécies podem apontar diferentes possibilidades de uso, particularmente quando comparados num contexto multicultural. Neste sentido, a apropriação deste saber e o conhecimento acerca da conformação deste conhecimento podem ajudar a localizar espécies promissoras para utilização em modelos biomédicos e industriais.
Linha de Pesquisa: Território, Sociedade e Desenvolvimento.
Coordenador do Projeto: Prof. Dr. Deyvson Rodrigues Cavalcanti
Pesquisadores Envolvidos: alunos do Mestrado e alunos da Graduação.
Projeto: A linguagem regional-popular de autores nordestinos nas dinâmicas territoriais
Descrição: O presente projeto tem com objetivo geral analisar, sob diferentes aspectos, a linguagem de escritores nordestinos que se destacaram no cenário nacional das letras. As análises visam identificar a linguagem regional popular, em romances, crônicas, contos e poesias, para detectar a história, os costumes, as tradições e a ideologia desses autores a partir de visão de suas províncias inseridas nas dinâmicas territoriais. Serão estudados os autores paraibanos Augusto dos Anjos, José Américo de Almeida, José Lins do Rego e Ariano Suassuna. Os autores cearenses Rachel de Queirós, José de Alencar e Patativa do Assaré. Com o desenrolar da pesquisa serão vistos os autores pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Ascenso Ferreira. De Alagoas, serão estudados Jorge de Lima e Graciliano Ramos. Da Bahia, Jorge Amado e João Ubaldo Ribeiro. Do Maranhão, será estudado Ferreira Gullar. Pretende-se, assim, formatar um quadro geral que nos mostre como esses autores falaram de sua terra e sua gente, retratando a realidade sócio- linguística e cultural no contexto dos territórios da região nordestina. Nessa direção objetivamos analisar a linguagem de escritores nordestinos do ponto de vista literário, geográfico, social e cultural, buscando uma contribuição para a preservação do Patrimônio Cultural brasileiro, particularmente na região nordestina, através do resgate da linguagem regional – popular de autores nordestinos, mediante levantamento bibliográfico e documental, relacionado com os autores a serem estudados, com vistas à formação de um acervo literário, histórico, geográfico e cultural desses autores em relação à região nordestina. Analisaremos a linguagem dos autores nordestinos do ponto de vista regional, social e cultural, delimitando os gêneros regional e popular, utilizados pelos autores em suas obras. Assim, buscaremos responder se existe uma linguagem regional específica de escritores nordestinos e se a linguagem utilizada pelos escritores nordestinos tem marcas da sociedade e cultura nos territórios dessa região. Dessa maneira, perceberemos se os escritores nordestinos utilizam em suas obras uma linguagem com marcas específicas dessa região; se a linguagem dos escritores nordestinos mostra sua relação com a sociedade e a cultura na região nordestina; e se o léxico dos escritores nordestinos demonstra os costumes, tradições e a visão de mundo do povo nordestino. Metodologicamente, trilharemos por uma pesquisa bibliográfica que será feita em quatro momentos. Primeiramente, a partir de um material teórico da Linguística: Dialetologia, Sociolinguística, Etnolinguística, Lexicologia e Lexicografia. Em segundo lugar, utilizaremos um material teórico de Literatura a partir das obras dos autores pesquisados e as obras sobre os autores pesquisados – fortuna crítica de cada um desses autores. Uma terceira será delimitada através de uma pesquisa documental a qual deverá incluir, sempre que possível, documentos pessoais, correspondências e todo e qualquer documento que esteja relacionado ao fazer literário dos autores. Por fim, uma delimitação do corpus composto por autores nordestinos, em especial alagoanos, constituindo, por fim, a criação de um banco de dados sobre esses autores mediante uma análise da Linguagem Regional e Socioculturais, desvelando as marcas linguísticas e literárias dentro das dinâmicas territoriais.
Linha de Pesquisa: Território, Cultura e Saberes Locais.
Coordenadora do Projeto: Profa. Dra. Maria do Socorro Silva de Aragão
Pesquisadores Envolvidos: alunos do Mestrado e alunos da Graduação.
Projeto: Os ciclos de gestão social nos territórios alagoanos: sua constituição, fortalecimento e efetivação
Descrição: O projeto é uma abordagem derivada de operar na dimensão da extensão e da pesquisa dos ciclos de gestão social dos territórios rurais no estado de Alagoas, valorando a necessidade de organização, funcionamento, fortalecimento e principalmente efetivação das ações de natureza territorial perante a instância – os Colegiados Territoriais – bem como seus beneficiários centrais: os agricultores familiares. Essa abordagem visa também analisar os efeitos do PROINF, da constituição da Matriz de Gestão Territorial do Plano Safra e da importância do Programa Territórios da Cidadania.
Linha de Pesquisa: Território, Sociedade e Desenvolvimento.
Coordenador do Projeto: Prof. Dr. José Eloizio da Costa
Pesquisadores Envolvidos: alunos do Mestrado e alunos da Graduação.
Projeto: A construção social das identidades e das subjetividades de jovens e adultos em bairros periféricos do agreste alagoano
Descrição: Esta pesquisa objetiva compreender como se dá a construção social da identidade e das subjetividades de sujeitos jovens e adultos em bairros periféricos do agreste alagoano, e qual o posicionamento dos mesmos para o desenvolvimento local. Em uma dimensão ampliada, afirmamos que a problemática se insere no bojo das discussões multiculturais tendo em vista àqueles sujeitos que estão inseridos entre os grupos sociais de vulnerabilidade como negros, homossexuais, de religião afro, classes populares, baixo nível de escolarização, que lutam por reconhecimento, uma vez que os referidos grupos encontram-se à mercê de uma política assimilacionista, que tem no cerne o princípio de assimilar estes aos valores socialmente valorizados pela cultura hegemônica. Destacamos que esta temática não é nova, porém singular no campo desta investigação. A discussão multicultural é recorrente desde a promulgação da Constituição de 1988, pois em suas bases legais apresenta como um dos princípios fundamentais aspectos para a promoção do multiculturalismo na sociedade que em linhas gerais significa, “promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. (ART. 3º; INCISO IV; BRASIL, 1988). Afirmamos que a discussão multicultural vincula-se às discussões referentes à teorização Pós-crítica, tendo em vista que as categorias de pesquisa nesta direção relacionam-se às questões de gênero, sexualidade, nacionalidade, identidade cultural, raça/etnia, além da cultura popular, e outras. Neste campo a referida pesquisa se configura enquanto área interdisciplinar, e até mesmo transdisciplinar, colocando estas questões, não como temáticas isoladas a serem trabalhadas no curso de Mestrado em Dinâmica Territorial e cultura, mas como eixos de discussões que se entrecruzam à problemática multicultural da atualidade. Esta temática vem sendo debatida sob distintas perspectivas. Entre elas apontamos o multiculturalismo que dá ênfase ao reconhecimento da diferença a partir dos grupos que garantem seus próprios espaços para se expressarem, criando apartheids socioculturais. Em outra direção, situamo-nos na perspectiva de que a sociedade atualmente vive um intenso processo de hibridização cultural, e que este é intenso e mobilizador na construção de identidades, e que as culturas não são puras. Portanto, a hibridização cultural é um elemento sine qua non que deve ser levada em consideração na dinâmica territorial e no bojo das culturas. É neste contexto, que nossos estudos pretendem contribuir para um repensar acerca da construção social das identidades e das subjetividades dos jovens e adultos, sendo estes analisados e interpretados à luz dos princípios democráticos de convivência social, que tem como alicerce a interação e manifestações dos diferentes sujeitos, considerrando-se os aspectos socioculturais destes, delimitados a partir das suas diferenças de ordem geracional, étnica, racial, de gênero, sexual, religiosa, a partir do desdobramento teórico em vários estudiosos a exemplo de Bhabha (1998); Canclini (2011); Hall (2000), entre outros. Entendemos que, para além da tolerância com o outro, a questão da diferença, implica, em novas relações. Pois é no entrelaçamento das diferenças socioculturais que os sujeitos jovens e adultos podem estabelecer mútuas interferências no sentido de agir democraticamente, especificamente no local onde habitam. Então, para melhor compreendermos o objeto de estudo, tecemos conceitos acerca da diversidade, diferenças e cultura, entendendo que essa tríade respaldará os desdobramentos de novos conhecimentos no campo interdisciplinar.
Linha de Pesquisa: Território, Sociedade e Desenvolvimento.
Coordenadora do Projeto: Profa. Dra. Jenaice Israel Ferro
Pesquisadores Envolvidos: alunos do Mestrado e alunos da Graduação
